Pesquisa

Pesquisa
alunos que pesquisam

11.4.06

A SOLORIZAÇÃO DOS SERES SUPREMOS

O simbolismo do SOL é bastante rico. Acreditava-se que a humanidade sempre conhecera o culto do Sol. Entretanto o etnólogo A Bastian observou, em 1870, que este culto só é encontrado em raras regiões do globo. Meio século mais tarde outro pesquisador descobriu a presença de elementos solares na África, na Austrália, na Melanésia, na Polinésia e Micronésia.
Na América, o culto ao Sol desenvolveu-se no Peru e no México, povos que possuíam organização política, mas foi no Egito, na Ásia e na Europa arcaica que o “culto ao sol” adquiriu o predomínio religioso.
Para muitos povos o Sol representa uma manifestação da divindade, se não é o próprio deus.



1.1 ÁFRICA
Uma série de povos africanos dá ao “ ser supremo” o nome de “ Sol” . Entre os diversos povos bantos da África oriental, em particular os que habitam no Kilimandjaro, o ser supremo é Ruwa, que significa “SOL”, ao qual não lhe é prestado culto, mas o ser conserva elementos uranianos, e apenas em situações extremas são oferecidos sacrifícios e dirigidas preces.

1.2 INDONÉSIA
Na Indonésia o deus solar Puempalaburu toma pouco a pouco o lugar do deus celeste I-lai, cuja obra cosmogônica ele continua. Assim o deus solar é promovido a demiurgo, tal como na América. Entre os tlingit, por exemplo, o demiurgo tem a forma de um corvo, é identificado ao sol e recebe do deus celeste a suprema missão de continuar a obra de criação começada por ele. Temos aqui o elemento dinâmico e organizador que é incorporado a divindade solar.
Mas o deus solar não é criador, mas antes subordinado ao criador do qual recebe mandato para terminar a obra de criação. Em compensação o demiurgo solar apodera-se da atualidade na vida religiosa, basta lembrar do lugar capital que desempenha o corvo na mitologia norte-americana e também pela águia, símbolo do sol, na mitologia ártica e norte-asiática.
NA INDONÉSIA o culto solar é esporádico, na vida religiosa predomina o culto aos mortos e dos espíritos da natureza. Em Timor, Usi-Nemo, o “Senhor Sol”, é esposo da “Senhora Terra”, recebe apenas um único sacrifício anual por ocasião das colheitas. Percebe-se que o Sol encara o principio masculino enquanto que a terra é feminina.
A leste de Timor, nos arquipélagos Leti, Sermta, Babar e Timorlaut o Senhor Sol conservou a sua vitalidade graças à sua transformação em fecundador. Não possui imagens e é adorado sob a forma de uma lâmpada feita de folhas de coqueiro. Uma vez por ano, no começo da estação das chuvas acontece o ritual para assegurar a chuva, a fertilidade dos campos e a riqueza da comunidade. Segundo a crença o Sol desce a uma figueira para fecundar a esposa, a Terra-Mãe. Ao lado da figueira são oferecidos sacrifícios de cães e porcos, em meio a cantos e danças numa orgia coletiva.



1.3 NA ÍNDIA

Os munda de Bengala colocam à cabeça de seu panteão Sing-bong, o Sol. Ele recebe sacrifícios de bodes brancos ou de galos brancos e, no mês de agosto, são oferecidas as primeiras colheitas do arroz. Para ele o sol é casado com a Lua é considerado o autor da criação cósmica.
Os povos khond da província de Orissa adoram como deus supremo e criador Bura Pennu (“ deus da luz”). Os birhors de Chota Nagpur imolam ao deus do Sol, galinhas e bodes brancos, também para assegurar colheitas. Ressalte-se que a data do sacrifício da galinha para obter um boa colheita, ocorre no dia de lua cheia do mês de abril-maio(baishak). Quando nasce uma criança, o pai oferece uma libação de água e , de rosto voltado para o Oriente, faz orações pedindo que a mãe dê bastante leite para alimentar seu filho.
O Sol aparece ainda como Ser Supremo de outro povo nunda, os oraon, cuja principal preocupação religiosa é apaziguar os espíritos, como fazem as divindades uranianas; também a eles são oferecidos sacrifícios de animais.

Nenhum comentário: